Rádio Som de Deus



Lançado em: 14-06-2019

A Trindade Santa

Meus irmãos e irmãs, celebramos hoje a solenidade da Santíssima Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo formam, juntos, a Trindade Santa que é a base da nossa fé. Refletir sobre a Santíssima Trindade é sempre um desafio, pois, como foi dito a Santo Agostinho:

Certa vez, Santo Agostinho estava a andar pela praia e pensava “como é que pode haver três Pessoas distintas – Pai, Filho e Espírito Santo – em um mesmo e único Deus?”. Ele avistou, de repente, um menino com um baldinho de madeira que ia até a água do mar, enchia o seu pequeno balde e voltava, despejando a água em um buraco na areia. Santo Agostinho, observando atentamente o menino, lhe perguntou: “o que estás fazendo?” O menino, com grande simplicidade, olhou para Santo Agostinho e respondeu: “coloco neste buraco toda a água do mar!”. Diante da inocência do menino, o santo lhe sorriu e disse: “isto é impossível, menino. Como podes querer colocar toda essa imensidão de água do mar neste pequeno buraco?”. O menino, que na verdade era o anjo de Deus, o olhou profundamente e lhe disse com voz forte: “em verdade, te digo: é mais fácil colocar toda a água do oceano neste pequeno buraco na areia do que a inteligência humana compreender o mistério da Trindade, os mistérios de Deus!”.

Esse episódio com Santo Agostinho inspira-nos a viver o que a Liturgia da Palavra de hoje nos ensina. 

Na primeira leitura, extraída do livro dos Provérbios (Pr 8,22-31), encontramos a autoproclamação da Sabedoria de Deus, pois, ela mesma, a Sabedoria, é que fala. Ela afirma a sua presença nos caminhos do Senhor, desde a eternidade, na criação do mundo e do ser humano. A Sabedoria Divina existe antes de tudo. Ela ressalta a sua presença na criação, e também, a sua benevolência para com os seres humanos. 

Na segunda leitura, extraída da carta de são Paulo aos Romanos (Rm 5,1-5), Paulo ressalta aos membros da comunidade que eles foram justificados pela fé em Cristo Jesus. Em linhas gerais, a justificação significa declarar justo ou absolver alguém no tribunal, dar-lhe razão frente ao seu inimigo, contar os méritos como saldo positivo. Paulo usa o termo para expressar que o fiel “está bem com Deus”. Os fariseus tinham a tendência de se justificar diante de Deus, com base no próprio esforço ou mérito (observância das regras), enquanto os discípulos de Jesus sabem muito bem que o ser humano não tem nada que obrigue Deus a justificá-lo e que a justificação vem da graça que Deus concede a todos os que na fé se deixam regenerar por ele. O cristão não observa regras para se justificar, mas observa o mandamento do amor (e tudo o que este implica), porque Deus o justificou e regenerou na graça.

No evangelho, extraído do evangelista são João (Jo 16,12-15), Jesus afirma que muitas coisas Ele tem para dizer, contudo, os discípulos não são capazes de as entender agora. O Espírito da Verdade irá conduzir e explicar tudo, pois o que será dito é fruto da Sua intimidade com o Pai e o Filho. O Espírito Santo faz reconhecer a manifestação do Pai em Jesus. O Espírito leva os discípulos a acolher e acreditar no mistério da vida de Jesus. A obra do Espírito é memória, é, também, fazer-nos penetrar no mistério de Deus. A revelação de Deus em Cristo é uma realidade permanente, não é um evento que ficou no passado, pelo contrário, está viva no presente. É um eterno Pentecostes.

Portanto, a Liturgia da Palavra de hoje nos mostra o grande mistério da Trindade. Deus é o “mistério”. O povo judeu viu na Sabedoria de Deus uma realidade preexistente ao próprio universo [primeira leitura]. Com Jesus, que não apenas nos faz ver a maravilha da inteligência divina na Criação, mas nos revela o mais íntimo ser de Deus: seu amor. O Espírito que animou Cristo ficou conosco e tornou-se para nós sua memória atuante, eterna presença daquele que, no sentido mais pleno pensável, é o “Filho de Deus” [evangelho]. O homem encontra a justificação, ou seja, a aceitação por Deus, na fé em Jesus Cristo. Fé que é confiança de vida e adesão comprometida. Por isso, as tribulações enfrentadas por causa do Cristo são uma felicidade, pois nos unem a Ele mais ainda.

Peçamos a Deus, nosso Pai, a graça de que, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, que seja revelado o vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente cantando: “ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo” [salmo responsorial].

Autor: seminarista Ícaro Marcos Soledade Oliveira
Revisão ortográfica: Nelmira Moreira
 




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