Rádio Som de Deus



Lançado em: 27-03-2019

Festa da Reconciliação

 

Meus queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando o quarto domingo da Quaresma, o domingo Laetare (o domingo da alegria). Nas nossas últimas reflexões, constantemente, falamos que a Quaresma é o tempo de conversão, onde se intensifica a oração, o jejum e a caridade. Também é tempo de reconciliação. Somos convidados a procurar a reconciliação com Deus, conosco mesmo e com o próximo, para bem poder participar da Páscoa do Senhor.

Embora não ornemos os altares com belas flores, não cantemos o Hino do Louvor (o Glória) e nem cantos agitados, evitamos as palmas a Quaresma é uma grande festa. É uma alegria, porque nós estávamos mortos e voltamos a viver; estávamos perdidos, e fomos encontrados. Deus faz festa, quando deixamos de lado a vida de pecado que nos faz errantes. É preciso festejar e alegrar.

A Liturgia da Palavra de hoje nos lembra isso: precisamos nos reconciliar e também, festejar e se alegrar quando o nosso próximo, assim como nós, volta para a casa do Pai, para o amparo de Deus.

Na primeira leitura, extraída do livro de Josué (Js 5,9a.10-12), os israelitas celebram a Páscoa, desfrutando dos benefícios da terra prometida, Canaã. Não era mais necessário Deus fazer descer do céu o maná, pois, o povo eleito havia chegado na terra que Ele prometeu. A partir daquele dia, Deus retirou do povo o opróbio (a vergonha) do tempo de escravidão do Egito. Os israelitas se reconciliaram com Deus e a Terra Prometida é a eficácia dessa reconciliação, da aliança entre Deus e o povo de Israel. Alimentar-se com o trigo de Canaã é um sinal do cumprimento do pacto de amor estabelecido entre eles.

Na segunda leitura, extraída da segunda carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 5,17-21), Paulo lembra à comunidade o mistério da reconciliação. Quem for reconciliado com Cristo é uma nova criatura; “as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo”. Por essa reconciliação em Cristo, somos embaixadores d’Ele, mensageiros e testemunhas da reconciliação feita por seu sangue derramado na Cruz. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho unigênito e, entregando seu filho, fez com que Ele participasse da consequência do pecado, para que nós participássemos de sua justiça.

No evangelho, extraído do evangelista São Lucas (Lc 15,1-3.11-32), Jesus é criticado pelos fariseus e os mestres da Lei, pois Ele acolhe os pecadores e faz refeição com eles. Ao ouvir isso, Jesus contou-lhes a parábola de um pai que tinha dois filhos. Um filho, o mais novo, pede ao pai a sua parte da herança e o pai atende o pedido. O filho mais novo vai embora e gasta tudo que lhe foi dado como herança. Acontece que na região em que ele estava houve uma grande fome. O filho procura trabalho, comida e até o alimento dos porcos lhe negavam. Ele lembra da fartura que há na casa do pai. Resolve voltar. O pai o avistou e sentiu compaixão. Correu ao seu encontro e o encheu de beijos. Deu-lhe uma roupa e um anel. O irmão mais velho, com raiva, questiona a atitude de acolhida do pai; esse lhe diz que era preciso festejar a chegada do irmão, pois “estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado”.

A mensagem do evangelho de hoje perpassa pelas atitudes do pai, do filho mais novo e do mais velho. O Pai Misericordioso, que é Deus, nos dá oportunidade, para fazermos o que bem entendermos. Ele não interfere, respeita a nossa liberdade. Contudo, é um pai que não quer os seus filhos distantes, por isso faz festa, quando um filho resolve, mesmo depois de “ter quebrado a cara”, voltar para o colo do pai. O filho mais novo acha que a casa do pai não é mais o seu lugar. Resolve “cair no mundo”. Contudo, ao estar emaranhado com as coisas do mundo e nelas não encontrar felicidade ele lembra da casa do pai e, reconhecendo o erro cometido, resolve voltar. O filho mais velho, em virtude de sempre ter ficado junto do pai e atendendo sempre às suas ordens, acha que tem o direito de não participar da festa da reconciliação do seu irmão.

A Liturgia da Palavra de hoje lembra que Deus sempre está a cuidar de nós. Retira de nós aquilo que mancha a nossa identidade e reconstrói a identidade de filhos amados (primeira leitura). Ele respeita a nossa decisão de nos afastar de Sua presença. Contudo, faz festa quando nós reconhecemos a nossa culpa e tomamos a decisão de voltar para a Sua casa (atitude do pai + do filho mais novo). Nós também podemos não nos alegrar com o nosso irmão que resolve voltar para os braços do Pai da Misericórdia (atitude do filho mais velho). Deus nos chama para participar da festa da reconciliação dos nossos irmãos que estavam na vida de pecado, no erro e cabe a nós ficarmos alegres pelo retorno desse nosso irmão [evangelho]. Precisamos nos reconciliar com Deus, pois “aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que n’Ele nos tornemos justiça de Deus”, embaixadores da reconciliação [segunda leitura].

Peçamos a graça a Deus que, por meio de Jesus, realiza de modo admirável a reconciliação, de correr ao encontro das festas que se aproximam, cheios de fervor e exultantes em fé, pois, provamos e vimos como é suave o Senhor (salmo responsorial). Assim seja, amém!

Autor: seminarista Ícaro Marcos Soledade Oliveira
Revisão ortográfica: Nelmira Moreira




5 Últimos Lançamentos

Eis que tudo se faz novo! - 17-04-2019


Paixão e Morte de Cristo - 13-04-2019


EXULTEMOS DE ALEGRIA! - 04-04-2019


Temor a Deus, Paciência e Conversão - 22-03-2019


Em Cristo, transfigurados! - 18-03-2019


Rádio Som de Deus
Momentos da Noite de Artes da Comunidade Regina Pacis 2016. Fonte: Paróquia Nossa Senhora das Graças
Copyright © 2016 - Rádio Som de Deus
Todos os direitos reservados