Rádio Som de Deus



Lançado em: 08-02-2019

Em Deus, somos perfeitos

Meus queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando o quinto domingo do Tempo Comum. Como já dissemos nas outras reflexões, esse Tempo litúrgico proporciona-nos reflexões que animam a nossa fé, mas, sobretudo, lembra-nos da nossa missão, enquanto pessoas cristãs.

Atualmente, encontramos pessoas que se vangloriam pelas atividades desenvolvidas e executadas. Regozijam-se com os bons êxitos no âmbito familiar, profissional, afetivo e etc. Essa “autossuficiência” que exclui o outro chega também aos campos eclesiais, às naves das Igrejas e aos Centros paroquiais.

A liturgia da Palavra de hoje vai de encontro a essa “onda” autossuficiente. Ela nos mostra que, por mais precioso, dedicado e bom seja o que fazemos, sem Deus não encontramos a perfeição, pois somos falhos e limitados.

Na primeira leitura, extraída do profeta Isaías (Is 6,1-8), o profeta relata a sua experiência com Deus. Isaías está no templo, rezando quando vislumbra uma visão que revela Deus ao profeta. “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. Isaías reconhece a sua impureza, incapacidade de vivenciar o mistério de estar na presença de Deus, porém, Deus, com a sua misericórdia, purifica o profeta, através de um serafim tocando-lhe os lábios, consagrando-o para ser profeta das gentes. Isaías não titubeou e colocou-se pronto para a missão “aqui estou! Envia-me!” (v.8).

Na segunda leitura, extraída da primeira carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,1-11), Paulo exorta à comunidade de Corinto que o ministério apostólico exercido por ele não está fincado em sua conduta e nem poderia estar, pois, ele, outrora, era perseguidor dos cristãos. Embora não tenha convivido pessoalmente com Jesus, mesmo tendo a experiência de fé e encontro com o Cristo já ressuscitado, Paulo mantém a comunhão com os apóstolos, sucessores do Messias. A partir disso, ele exorta que o Cristo pregado por ele não está morto, pelo contrário, ressuscitou e apareceu a Pedro, Tiago, a quinhentos irmãos na fé e a ele próprio. Mas não só por ter aparecido a eles, o que lhes fortalece é a Graça de Deus derramada sobre eles (é pela Graça de Deus que sou o que sou).

O evangelho, extraído do evangelista São Lucas (Lc 5,1-11), narra o episódio da pesca milagrosa. A multidão estava ao redor de Jesus para ouvi-lo. No entanto, o olhar de Jesus se direciona para uns pescadores que acabavam de retorna de uma pescaria improdutiva. O observar de Jesus para esses pecadores é crucial, pois eles eram marginalizados pela sociedade daquela época. Jesus ordena que eles avancem para águas mais profundas. Simão retruca a Jesus, dizendo que eles tinham varado a noite e nada conseguiram. No entanto, em atenção à palavra do Mestre, eles iriam lançar as redes. Lançaram-na no mar e recolheram uma quantidade numerosa de peixes a ponto de sinalizaram para que outro barco viesse ajudá-los. Pedro reconhece a sua insignificância perante Aquele homem (“Senhor, afasta-me de mim, porque sou um pecador”). Jesus “purifica” Pedro e lhe incumbe a missão de não mais ser pescador de peixes, mas sim, pescador de homens.

A liturgia da Palavra nos exorta a três pontos: a) não podemos deixar que as nossas imperfeições e impurezas nos afastem de Deus; b) as vezes, pelo nosso passado ou atitudes que outrora tomamos, pessoas venham colocar à prova a credibilidade do anúncio profético que fazemos, porém, é a partir do nosso encontro com Cristo (e é esse encontro que anunciamos) e com a Sua Graça que somos o que somos (segunda leitura); c) devemos sempre estar atentos à Palavra de Jesus. Às vezes, Sua Palavra pode ir de encontro à lógica, mas nunca nos esqueçamos: é Ele que nos escolhe e capacita e que para Ele nada é impossível [evangelho].

Na atualidade, inclusive dentro das nossas Igrejas, precisamos vencer a tentação de termos o nosso ego inflado, ou seja, de acharmos que a Igreja é nossa, que aquilo ou aquela coisa existe por causa das nossas forças. Somente pelas nossas forças, nada subsiste. Em Deus, somos perfeitos.

Portanto, Deus nos chama a estarmos na Sua presença. Não se importa com a nossas fragilidades e defeitos. Ele nos purifica e capacita. Quando estamos com Ele, somos pessoas melhores capazes de amar sem interesses, n’Ele, o nosso ego não se infla, pelo contrário, quando somos seus instrumentos, as pessoas conseguem experimentar o Seu amor para todos nós.

Peçamos a Deus que ele vele por todos nós com o seu incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça que Ele nos guarde sob a Sua proteção.

 

Autor: Ícaro Marcos Soledade Oliveira

Revisão ortográfica: Nelmira Moreira




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