Rádio Som de Deus



Lançado em: 01-02-2019

Eu espalho Deus

Meus irmãos e irmãs, estamos celebrando o quarto domingo do Tempo Comum. Durante esse tempo, como dissemos na nossa última reflexão, a Igreja, com a sua liturgia, nos propõe temáticas que animam e fortalecem a fé que professamos. Nesse domingo, a Liturgia da Palavra nos exorta para uma dimensão que, por vezes, no dia-a-dia, esquecemos: somos a presença de Deus no mundo.

Costumeiramente, as pessoas se encantam por indivíduos/instituições/movimentos que promovem uma determinada espiritualidade, religião e/ou algo que as façam ter contato com o transcendente/sagrado. Muitas vezes, a desilusão é grande, pois, na verdade, não encontraram pessoas ou instituições que as levem para o Deus/Sagrado/Transcendente, mas sim, encontram verdadeiros charlatões da fé.

A Liturgia da Palavra de hoje lembra a todos os cristãos católicos que eles são responsáveis por “divulgar” Deus no mundo em que vivem. No entanto, para isso, faz-se necessário cultivar as virtudes que d’Ele provêm e o desafio de não limitar a ação de Deus por meio de nós.

A primeira leitura, extraída do livro do profeta Jeremias (Jr 1,4-5.17-19), traz o relato da vocação de Jeremias. A leitura começa com um recorte histórico (“nos dias de Josias, rei de Judá”) e narra todo chamado do profeta. Deus entra na história de Jeremias e o escolhe antes mesmo que nascesse (“antes que formar-te no ventre de tua mãe, eu te conheci [...]”. Deus escolhe, chama e consagra Jeremias para que fosse profeta das nações, ou seja, ele, a partir daquele momento, era a presença de Deus na vida daquela gente.

Na segunda leitura, extraída da primeira carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 12,31-13,13), é proclamado o hino da caridade, que muitos traduzem como hino do amor. Podemos dividir esse hino em duas partes. A primeira- versículos 1-3 do capítulo 13, onde Paulo faz algumas comparações. Afirma que a caridade/amor é a principal virtude. Se, por um acaso, a pessoa tivesse o dom de falar todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, e não tivesse a caridade/amor, de nada adiantaria. Pode-se ter/ser tudo, se não tiver caridade/amor, de nada adianta. A segunda parte- a partir do versículo 14, é onde ele relata as qualidades da caridade/amor: “é paciente, é benigna, não é invejosa...”. Encerrando o hino, Paulo exorta que três virtudes devem permanecer: fé, esperança e caridade/amor, sendo a caridade/amor a mais importante dessas. Na Teologia, essas virtudes (fé, esperança e caridade) são conhecidas como teologais, pois, as mesmas brotam, nascem de Deus. Essas virtudes são princípio para as outras virtudes que conhecemos como cardeais, humanas e etc.

O evangelho, extraído do evangelista São Lucas (Lc 4, 21-30), relata a surpresa do povo que acabara de ouvir Jesus ler a passagem do profeta Isaías e, ao terminar de ler, Ele afirma que “hoje se cumpriu a passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Os presentes naquela cena, de imediato, ficam encantados com as palavras de Jesus e lembram que Ele é filho de José. Jesus, reconhecendo outras motivações que se passavam no interior do coração daquela gente (pensavam na possibilidade de ver a repetição dos atos milagrosos também ali na terra de Jesus), afirma que o profeta não é bem recebido na sua própria pátria. Ilustra isso relembrando o profeta Elias que foi acolhido pela viúva de Sarepta, na Sidônia, e o profeta Eliseu que foi recepcionado por Naamã, o sírio. Os ouvintes de Jesus, ao ouvirem isso, ficaram enfurecidos e queriam matá-lo. Ele, por sua vez, com tranquilidade, passava pelo meio deles. Esse texto é uma prova de que a vinda de Jesus ao mundo não tem limites geográficos, ou seja, não pertence, unicamente, aos judeus, pelo contrário, pertence a todo o mundo que precisa conhecer e viver a Sua palavra.

A liturgia da Palavra de hoje nos lembra que somos a presença de Deus no mundo e o faz a partir de três pontos: a) não somos nós que escolhemos ser a presença de Deus na vida das pessoas, pelo contrário, é o próprio Deus que, antes mesmo que nascessemos, já nos escolheu para sermos testemunhas do seu amor [primeira leitura]; b) em todas as nossas atitudes, devemos deixar transparecer as virtudes que provêm de Deus, ou seja, precisamos ter fé, esperança e caridade/amor [segunda leitura]; c) a presença de Deus, através de nós, não deve ter limite geográfico. Não podemos restringir/limitar a ação de Deus, através de nós [evangelho].

Na atualidade, somos convocados a espalhar Deus, ou seja, levar amor, onde houver ódio, o perdão, onde houver ofensa, a união, onde houver discórdia, a fé, onde houver dúvida, a verdade, onde houver o erro, a esperança, onde houver o desespero, a alegria, onde houver tristeza, a luz, onde houver trevas (cf. Oração de São Francisco).

Portanto, Deus nos chama para sermos a Sua presença no mundo. Devemos anunciar todos os dias as incontáveis graças do Senhor para cada um de nós. Que Ele nos conceda a graça de adorá-lo de todo o coração e amar todas as pessoas com as virtudes que d’Ele provêm: a fé, esperança e caridade/amor.

Autor: seminarista Ícaro Marcos Soledade Oliveira

Revisão ortográfica: Nelmira Moreira




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