Rádio Som de Deus



Lançado em: 20-04-2018

As imagens do ressuscitado

Meus queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje o quarto domingo da Páscoa. Durante toda a Quaresma, nos preparamos para vivenciar a morte e ressurreição, ou seja, o Tríduo Pascal de Jesus que não pára na morte, mas, a Sua ressurreição é o seu ápice, pois, imolado, já não morre; e morto, vive eternamente.

A liturgia de hoje nos oferece três imagens a respeito de Jesus: a primeira, apresenta Jesus como fonte de salvação; a segunda, Jesus manifesta para nós a nossa filiação divina e, por fim, a terceira, onde o próprio Jesus, através do evangelho de João, se apresenta como Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas.

Na primeira leitura, extraída do livro dos Atos dos Apóstolos (At 4,8-12), Pedro, juntamente com João, estão diante do Sinédrio, sendo interrogados. O êxito do milagre (a cura do aleijado no templo [At 3,1-10]) provoca o primeiro encontro dos apóstolos com as autoridades judaicas que não são, num primeiro momento, sacerdotes do partido saduceus, depois também senadores e letrados, normalmente de partido farisaico. Entre fariseus e saduceus há pontos de convergência e de divergência. Os saduceus, seguindo a antiga tradição bíblica, não creem na ressurreição (At 23,8) e se sentem incomodados com a propaganda que os apóstolos fazem da ressureição de Jesus. Os fariseus, por sua vez, creem na ressurreição no “último dia”, mas não podem aceitar que Jesus já tenha se beneficiado desse privilégio. O ponto em comum (entre saduceus e fariseus) é o alarme diante do que pode acontecer, ou seja, que  novamente tenham de enfrentar Jesus, quando o julgam eliminado para sempre.

Na segunda leitura, extraída da primeira carta de João (1Jo 3,1-2), João nos relembra a revelação que tem Jesus como ápice e que é a nossa filiação divina; não por mero título extrínseco, mas por transformação da pessoa (v.1). Essa filiação se manifesta em seus efeitos e se contrapõe a outra filiação, não simétrica, “filhos do diabo” (1Jo 3,6-10). Essa contraposição (filhos de Deus/luz versus filhos do Diabo/trevas) está em toda a carta. O tipo “Filho de Deus”, por sua natureza, enquanto tal, não peca nem pode pecar. Quem peca mostra ser de outra natureza, filho daquele que desde a sua origem é pecador, o Diabo. Então, como se explica que cristãos, filhos de Deus, pequem de fato? Pecam porque ainda não está consumada a sua natureza (v.2) nem acabada a “semelhança”; o Diabo ainda pode apresentar situações para lhes fazer cair no pecado.

No evangelho relatado por João (Jo 10,11-18), Jesus se apresenta como o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas. A partir do momento que Jesus toma o título real, messiânico, divino, e o desenvolve em três variações: o pastor e os ladrão (Jo 10,1-6), a porta do redil (Jo 10,7-10), o dono e o assalariado (Jo 10,11-18).

Na liturgia de hoje, ouvimos a terceira variação (o pastor e os assalariados [Jo 10,11-18]). Lendo a história da Davi, compreendemos que o pastor do rebanho arrisca a vida para lutar com feras, defendendo as ovelhas (1Sm 17, 35-36) e não faltam reis que arriscaram e perderam a vida lutando. Jesus dá a vida voluntariamente, sacrifica-se; sua morte será salvação para todos. Sua relação com as ovelhas é pessoal, tão pessoal como a sua com o Pai.

Portanto, a liturgia de hoje nos oferece essas imagens: a primeira apresenta Jesus como fonte de salvação, a segunda, Jesus manifesta para nós a nossa filiação divina e, por fim, a terceira, onde o próprio Jesus, através do evangelho de João, se apresenta como Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. E, na nossa vida, somos convidados a testemunhar a nossa experiência com essas imagens.

A primeira nos mostra que a fé na cruz não pode anular a esperança da ressurreição, pois, Jesus morreu na cruz. Porém, a morte não põe um ponto final na vida, pelo contrário, a nossa esperança está na ressurreição, porque, “se fomos, de certo modo, identificados com ele por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição” (Rm 6,5).

A segunda nos apresenta que somos a imagem e semelhança de Deus, ou seja, temos a filiação divina e essa deve ser mostrada como sinal ao mundo.

Por fim, a terceira nos lembra o quanto devemos ser solidários, misericordiosos com os outros; ou seja, devemos assumir as tristezas, mazelas, angústias do nosso próximo, assim como Jesus, o bom pastor, deu a sua vida em favor de suas ovelhas.

Peçamos à Virgem Maria que nos ajude na missão de sermos “sal da terra e luz do mundo”, ou seja, presenças divinas nas vidas das pessoas e que essas imagens de Jesus nós possamos testemunhar, com as nossas vidas, pois somos filhos amados de Deus e somos a diferença e a esperança desse mundo caótico.

 

Autor: seminarista Ícaro Marcos Soledade Oliveira

Revisão ortográfica: Nelmira Moreira

 




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