Rádio Som de Deus



Lançado em: 31-12-2017

Jesus, Maria e José - Minha família vossa é!

Uma reflexão sobre a Festa da Sagrada Família

 

1ª Leitura - Eclo 3,3-7.14-17a

Salmo - Sl 127,1-2.3.4-5

2ª Leitura - Cl 3,12-21

Evangelho - Lc 2,22-40

Jesus, Maria e José - Minha família vossa é!

 

Meus irmãos e minhas irmãs, nesse domingo, o último do ano, celebramos a festa da Sagrada Família. Após a preparação, proposta pelo tempo do Advento, para a chegada do menino Deus e da concretude dessa chegada com o seu nascimento celebrado no dia de Natal, festejamos hoje a sua família e o exemplo-convite que ela, a família de Nazaré, faz a cada família, a cada um de nós na liturgia de hoje.

​Na primeira leitura, extraída do livro do Eclesiástico (Eclo 3,3-7.14-17a), após a introdução do livro, que define a atitude do discípulo em relação a Deus (o primeiro mandamento), o mestre passa a ensinar sobre o outro mandamento (honrar pai e mãe [Êx 20,15; Dt 5,16]), sobre os deveres para com os pais. O mestre assume o papel de pai, tratando os alunos como filhos; prolonga assim a atividade dos pais que exerceram o papel de mestres (Pr 1,6; 2,1). A autoridade dos pais é instituição divina para a salvação. Na leitura, encontramos várias vezes o termo “honrar” que, no hebraico, significa o respeito à autoridade dos pais como o sustento deles em suas necessidades. O cuidado com os pais deve durar a vida toda, também quando o pai for ancião (idoso) e o filho maduro (adulto) (cf. Pr 23,22). Portanto, Deus é fonte e garantia da ordem familiar; por isso, violar o quarto mandamento é ofensa contra Deus, o criador (Dt 27,16; Pr 30,11-17).

​Na segunda leitura, extraída da carta de São Paulo aos Colossensses (Cl 3,12-21), Paulo exorta a comunidade de colossas a respeito de alguns conselhos práticos para a situação em que se encontram. A comunidade vivia um grande perigo de desvio doutrinal (aceitação de outros deuses [paganismo]). Se, por um lado aceita a desigualdade de grau, por outro insiste em deveres correlativos, entre marido e mulher, pai e filho, patrão e escravo. Tudo deve acontecer com sentido religioso: “como agrada ao Senhor, por respeito ao Senhor, servindo ao Senhor, um Senhor no céu”. Os conselhos práticos são culturalmente condicionados. Mas o fato de passar da doutrina à prática é um ensinamento ou exemplo permanente.

​No evangelho, extraído de são Lucas (Lc 2,22-40), Lucas narra a circuncisão e apresentação de Jesus no templo. A circuncisão é o sinal da promessa crida (Gn 17,12) e é um preceito, ou seja, lei para Israel. Jesus nasce sob a lei (Gl 4,4); mas não é a lei que salva, e sim ele, como diz seu nome, imposto por Deus, para marcar a sua missão (Is 12,2). No texto de hoje, vislumbramos o encontro de Simeão e Ana com a família de Nazaré (José, Maria e Jesus). Em Simeão o Antigo Testamento se alonga para se unir com o Novo Testamento (Jesus). A esperança alimentou a vida de Simeão. A expectativa o sustentou na velhice. A esperança funda-se em muitas profecias, na expectativa de uma promessa pessoal do Espírito Santo. No Antigo Testamento, “ver a salvação” significa assistir a uma ação salvífica de Deus e, talvez, desfrutar dela.

Em Simeão se acumulam significados: ver é ter nos braços, desfrutar, porque a salvação é o Salvador. Certo de um futuro esplêndido que começa, Simeão pode morrer tranquilo, como se fosse uma alforria de um escravo (Êx 21,26-27). Simeão os abençoa, prefigurando uma bênção sacerdotal (1Sm 2,20), como “ponta pé inicial” da missão do Messias e de sua mãe. Nesse contexto, surge a profetiza Ana oriunda da tribo setentrional, viúva e anciã, como Judite (Jt 16,22-23), profetisa como Débora (Jz 4-5) que ao lado de Simeão, transmitem uma única esperança: o “resgate de Jerusalém” (Is 52,9) por meio do Messias.

​Portanto, a liturgia da palavra de hoje nos apresenta a importância/valor da família. “Até o filho de Deus teve os carinhos de uma mãe [e de um pai]” (música: Mãe da Fé, banda Anjos de Resgate). A família tem um papel fundamental na educação e criação dos seus filhos. É um juramento, realizado no dia do casamento, perante Deus, que os cônjuges fazem de viverem na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, mas, sobretudo, selam uma aliança que instaura uma posteridade, ou seja, os filhos que serão educados na fé católica. Assim fizeram José e Maria; eles mesmo sabendo que Jesus é o filho de Deus não se isentaram de educá-lo e amá-lo, pelo contrário, eles cumpriram tudo aquilo que deles era esperado, inclusive os preceitos judaicos (evangelho). A partir do ensinamento recebido dos pais, os filhos têm por obrigação de, primeiramente, observar o que lhes fora ensinado e, além disso, cuidar de seus pais, ou seja, honrá-los (primeira leitura). Essa conduta deve ser observada também em sentido religioso, ou seja, a fé professada deve refletir na conduta familiar [e vice-versa] (segunda leitura), ou seja, não posso ser uma pessoa na Igreja e em casa outra.

​Peçamos à família de Nazaré que nos ajude a trilharmos os caminhos da prudência, justiça, temperança e caridade. Que saibamos aprender os ensinamentos dados pelos nossos pais e que possamos corresponder a tamanho amor que eles, em suas limitações, têm por cada um de nós, seus filhos.

Jesus, Maria e José - Minha família vossa é!

Autor: seminarista Ícaro Marcos Soledade Oliveira | 
Revisão ortográfica: Nelmira Moreira




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O momento foi festejado com a participação da Banda Recomeçar de Feira de Santana.
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