Rádio Som de Deus



Lançado em: 22-12-2017

A Casa de Deus

Uma reflexão sobre o 4º domingo do Advento

 

1ª Leitura - 2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16

Salmo - Sl 88,2-3.4-5.27-29

2ª Leitura - Rm 16,25-27

Evangelho - Lc 1,26-38

 

A casa de Deus

 

Meus irmãos e minhas irmãs, celebramos hoje o quarto domingo do Advento, último domingo desse tempo de preparação e espera do Senhor que renasce nas nossas vidas, nos nossos corações. Hoje, a Igreja além de celebrar o quarto domingo do Advento, no findar desse domingo, ela celebra a Missa da vigília do Natal do Senhor, ou seja, chegou o grande dia, “nasceu-nos hoje um menino, um filho nos foi dado”, como diz o canto. A celebração do dia 24, alerta-nos que o “Senhor virá, Ele não tardará”. 

Na primeira leitura, extraída do segundo livro do profeta Samuel (2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16), Davi vislumbra o grande palácio no qual ele mora, porém, lembra-se que Aquele que tudo de bom tinha feito em seu favor, ou seja, Deus, não morava em um palácio, mas sim, em uma tenda. Deus, através do profeta Natã, interpela a Davi perguntando-lhe: “porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar?”. Nesse capítulo, onde a primeira leitura está inserida, encontramos o ápice da história de Davi que não consiste no seu militarismo ou na sua importância política, mas sim, na promessa que Deus lhe faz. Davi quis dar o Senhor uma casa, mas Deus se revelou ao seu povo em movimento tirando, guiando, conduzindo, ou seja, a casa de Deus, nesse contexto, não é somente um templo construído com tijolos, mas, sobretudo, os corações do seu povo que Ele ama e cuida.

Na segunda leitura, extraída da carta de Paulo aos Romanos (Rm 16,25-27), Paulo exorta, repete isso em diversas partes da carta, que a salvação de todos consiste na fé em Jesus Cristo. A carta lembra para a fidelidade ao judaísmo e a vocação universal. Fidelidade ao judaísmo é reconhecer toda a história precedente como plano de Deus. Paulo vive essa fidelidade em sua carne e em seu coração. A fidelidade à vocação universal brota da adesão incondicional a Jesus como Messias e Salvador, que, cumprindo além da expectativa o anunciado e prometido, põe fim ao que é passageiro e inaugura a nova era definitiva.

No evangelho, extraído de são Lucas (Lc 1,26-38), o evangelista relata o anúncio do nascimento de Jesus. O arcanjo Gabriel faz um anúncio a Maria. A Galileia era zona de fronteira, longe de Jerusalém. Nazaré, um lugar sem importância (cf. Jo 1,46; 7,52), perto da importante cidade de Séforis. Maria estava “prometida”, com vínculo legal dos esponsais, mas sem ter celebrado ainda o casamento, começo da co-habitação (veja a legislação sobre o casamento Dt 22,23-28; Êx 22,15). José era descente de Davi, de nobreza decadente. A maternidade de Maria será uma obra do Espírito Santo; o poder de Deus agirá como sombra que fecunda (Sl 91,1). Maria não usa um verbo ativo na primeira pessoa, mas um intransitivo “aconteça”: o que disse o anjo, ou seja, a ação divina e sua consequência (como um novo Gênesis). Deixar Deus agir é a suprema humildade e grandeza de Maria (Lc 1,49).

Portanto, a liturgia de hoje nos anuncia que Jesus, o menino Deus, deseja morar na nossa casa, no nosso coração. A mesma pergunta feita a Davi, Ele faz a cada um e a cada uma no dia hoje “porventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar?” (2Sm 7,5) (primeira leitura). A nossa resposta deve ser igual a que Maria deu ao arcanjo Gabriel “eis aqui a serva do Senhor, faça-me em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Nas nossas vidas devemos estar atentos ao projeto de Deus para cada um de nós. À exemplo de Maria que sejamos humildes para assim deixarmos Deus agir nas nossas vidas (evangelho). Devemos estar atentos para que as nossas atitudes não são sejam opostas ao evangelho anunciado pelos apóstolos e vivido por Jesus. As nossas vidas devem expressar que Jesus é o fundamento e o sentido das nossas vidas e é por meio dele que toda a glória será dada pelos séculos dos séculos (segunda leitura).

Peçamos à Maria, àquela que Deus, por meio do arcanjo Gabriel, anunciou que do seu ventre iria nascer o filho de Deus, o “Emanuel” que nos ajude a sermos, antes de tudo, casa de Deus, morada do Altíssimo, para que as nossas vidas possam refletir o Cristo que renasce nos nossos corações nesse natal. Assim seja. Amém!

Autor: seminarista Ícaro Marcos Soledade Oliveira | 
Revisão ortográfica: Nelmira Moreira




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